5 de nov de 2011

Um Breve Comentário em Torno da Obsessão


Do latim obsessione, estudado de forma profunda pelo Espiritismo. Em sua origem etimológica quer dizer perseguição, impertinência, idéia fixa[1], que por sua vez é explicado do ponto de vista espiritual[2] e também nos modernos dicionários como sendo a dominação de um espírito de forma doentia sob alguém. Podendo ocorrer de desencarnado para encarnado, encarnado para desencarnado, desencarnado para desencarnado e encarnado para encarnado.

No Livro dos Espíritos, Kardec ao questionar a espiritualidade na questão 459 sobre a influência espiritual em nossas vidas, recebe como resposta que Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.

Enquanto almas, embora com nosso livre arbítrio, ficamos restritos ao que poderíamos chamar de “relativo determinismo”, onde enclausurados no vaso somático limitamo-nos em nossos cinco sentidos percebidos pela carne.

Em obra mediúnica André Luiz[3] se refere a tais sentidos, nos informando que eles são responsáveis por apenas um oitavo daquilo que sentimos, ou seja, a nossa realidade material não é cem por cento realidade, confirmando os dizeres de Platão[4] séculos atrás, deixando claro que estamos imersos num jardim de ilusões.

O que dizer então das realidades que fogem aos nossos sentidos materiais? Se delas temos apenas o conhecimento obtido por revelações mediúnicas.

A verdade é que a Terra, como Mundo escola esta aberta para todos os tipos de influência espiritual, energias[5] que vibram em frequências diferentes, no qual vamos absorvendo de acordo com a frequência que  permitimos acessar.

Quando a espiritualidade responde a Kardec sobre sua influência em nós, não afirmou que esta seria somente dos luzeiros já em adiantamento e evolução, mas apenas, influência. Contudo, cabe salientar que na medida em que vamos construindo nossos modelos mentais em nossa jornada atual, vamos permitindo também que irmãos nossos, que desencarnaram ainda envoltos em ódio, ambição, desejo de vingança e outros sentimentos, nos acompanhem em virtude de estarmos criando mentalmente conexões semelhantes.

A obsessão nos diz o Evangelho Espírita “É a ação persistente que um Espírito “mau” exerce sobre um indivíduo”, e apresenta características muito diversas, podendo aprofundar-se à medida que a criatura vai permitindo que tal sintonia tome conta de si próprio.

Neste ponto cabe salientar que os chamados “demônios” que aparecem nos textos antigos – e não só evangélicos – assim o aparecem mas como uma idéia de oposição. Com o passar da história, esta idéia foi distorcida, donde criou-se a figura mitológica de um ser maligno. Muitas destas criações aprecem em nome da manutenção do status quo[6] vigente. O que realmente existe são irmãos nossos, que após deixar o corpo físico, procuram vingar-se de algo ou continuar nos erros de uma existência inteira. Porém - cabe salientar mais uma vez - são nossos irmãos, que depois de devido esclarecimento procuram o bem, assim como todas as criaturas, desencarnadas ou não.

O Espiritismo, buscando o Cristianismo em sua essência primitiva nos trás estes relatos e nos mostra que a profilaxia para tal doença da alma  existe em nós, está em nossa própria postura frente a vida.

A filosofia do Cristo veio nos ensinar que nós mesmos somos os construtores de nossas felicidades atuais e futuras. Ensina-nos por sua vez que cuidando de nossa moral e da transformação de nossos pensamentos, abriremos campo para a influência espiritual de luz, onde nossos mentores, e demais trabalhadores das plêiades espirituais do bem poderão nos acompanhar e até mesmo nos instruir, ajudando-nos por meio de uma mediunidade intuitiva e nos auxiliando na procura de ações construtivas.

O aumento de obsessões[7] tem se tornado uma constate na atual conjuntura planetária. Estamos cada vez mais individualistas, materialistas, incrédulos, e por sua vez obsedados. Nossa inversão de valores esta abrindo situações reais para nossos obsessores, situações estas criadas por nós mesmos em conflitos passados[8], ou em virtude dos conflitos presentes.

Necessitamos urgentemente de uma mudança de postura, necessitamos urgentemente entender os valores do espírito e de seus planos, entender que toda a construção da carne é temporária e destinada a transformações, como bem dizia Lavoisier[9].

A mudança em nosso clima vibratório[10] altera nossa essência, bem como por onde andarmos, nos lares, nas ruas, no bairro, na Cidade, e com isso, mudamos a realidade temporariamente invisível aos nossos cinco sentidos.

Resolvendo atravessar o mar, Jesus chega na região a época conhecida como Gérasa. Descendo do barco, com sua mediunidade observa “um homem que tinha morada nos sepulcros[11], tratando-se porem de um espírito. Observando esta entidade a presença de Jesus pediu para que não o incomodasse, mas Jesus, num trabalho de desobsessão ordenava, “Espírito impuro, sai do homem![12]. E assim o fizeram frente à moral daquele que voz falava, indo posteriormente juntar-se a um chiqueiro de porcos.

Porém, antes de irem aos porcos perguntou o Cristo: “Qual o tem nome? Ele lhe diz: Legião[13] é meu nome, porque somos muitos[14].”

Esta passagem das andanças do Cristo nos mostra que enquanto cultivarmos o ódio, a inveja a violência e tantos outros sentimentos puramente carnais, continuaremos enquanto desencarnados com estes mesmos sentimentos, tornando-nos nós próprios os obsessores de alguém, permanecendo na Terra, sem evoluir, ao procurar uma errônea justiça.

Porém quando vigiamos e orarmos na procura do bem, não mais faremos parte da chamada legião, e deixaremos com que eles – que ainda se vêem como tal - sigam seu caminho, que como o de todas as criaturas, se faz para a luz.

Jivago Dias Amboni.


[1] Dicionário de Lingua Portuguesa Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.
[2] Explicado por Suely Caldas Shubert em Obsessão e Desobsessão.
[3] Benfeitor André Luiz em Obreiros da Vida Eterna.
[4] Platão nos dizia que o mundo real  é uma pálida reprodução do mundo das idéias. Vendo este último como o mundo real.
[5] Estágios no qual vivem espíritos.
[6] Após a romanização do Cristianismo, este foi perdendo sua essência, sofrendo alterações e interpretações com o objetivo de não só manter os poderes seculares presentes em cada época, mas também em colocar o povo sob dominação política, econômica e social.
[7] Influências de irmãos ainda envoltos em ódio ou que não compreenderam sua atual situação.
[8] Aqui pode-se entender passado como anos atrás, mas principalmente construções de vidas passadas, quando criamos nossos inimigos que, também aquele tempo, desencarnaram sem nos perdoar e ainda mantém estes sentimentos.
[9] Químico Francês. Importante estudioso sobre a conservação da matéria. É considerado também o pai da química moderna.
[10] Livre-arbítrio.
[11] Marcos 5:3. Tradução tirada diretamente da fonte grega em virtude de ser esta a fonte mais fidedigna da fala de Jesus.
[12] Marcos 5:8. (idem).
[13] Legião era uma divisão do exército romano, que continha em torno de 6.000 homens. Informação retirada do Novo Testamento de Haroldo Dutra Dias, p. 183.
[14] Marcos 5:9. (idem).

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