2 de jan. de 2013

Do Planejamento Reencarnatório.



Ao falar de reencarnação, não estamos trazendo nada de novo. Em todos os tempos, os chamados “textos sagrados” sempre trouxeram em seus registros a existência deste fenômeno. Do mais antigo, o Bagavad Guita, da Índia Védica, passando pelos hierógrafos egípcios, encontramos também a reencarnação em todos os ensinos dos iniciados, seja entre os antigos povos Orientais, como também pelos Ocidentais, passando pelos Gregos, Romanos e também pela civilização Hebraica.

O que temos hoje com a Doutrina Espírita é em suma um aprofundamento nas explicações de como a reencarnação ocorre, quando o Espírito, já em processo de reencarne prepara-se para voltar ao vaso carnal. 

Ao deixar o corpo físico, o Espírito vai encontrar-se em alguma colônia espiritual, aquela condizente com o seu atual estágio de adiantamento (as muitas moradas da casa do Pai). Estando uma vez nestas colônias, entende o Espírito que deixou a Terra, que para continuar a evoluir em sua jornada, necessitará voltar ao Orbe para corrigir aquilo que deixou para trás em existências passadas. 

A partir deste momento, inicia-se um processo paulatino e muito zeloso de planejamento reencarnatório, onde a espiritualidade amiga, e especializada nestes trabalhos, planejará o retorno do Espírito a Terra. 

Este planejamento se fará sempre respeitando-se a trajetória deste Espírito, onde será analisado o livre arbítrio de suas últimas jornadas. Acertos e erros serão colocados no momento do planejamento, pois é destes acertos e erros que serão formatados a nova realidade do Espírito na Terra, ou seja, nossa vida atual é o resultado das nossas vidas passadas. 

Salientamos que o retorno a Terra (reencarnação), não é de forma alguma uma imposição (existem exceções), e muito menos uma condenação. É sim, o fruto do que foi plantado pelo Espírito e planejado pela espiritualidade amiga.

Todo o planejamento reencarnatório, feito com ou sem a participação do Espírito reencarnante (os espíritos podem participar do planejamento reencarnatório, desde que tenham condições morais para isso), é planejado com provas e expiações necessárias a evolução do Espírito, e também as de que ele possa suportar.

Nada nos é dado ao acaso, se temos felicidades e tristezas, é porque plantamos estas felicidades e tristezas em nossos corações (períspirito), em vidas pretéritas. 

Cabe a esta existência na Terra, resgatá-las. A vida atual é a vida da mudança. É a vida da virada para o bem. É a oportunidade que o Espírito encarando tem de fazer-se feliz (entende-se fazer-se feliz do ponto de vista espiritual, e não existêncialista como pregado atualmente pelas doutrinas modernas), nos planos espirituais que virão. É o momento também de buscar a felicidade nesta existência.

Jivago Dias Amboni.
Dezembro de 2012.

6 de out. de 2012

Allan Kardec

O ano de 1804 marcou um ponto de extrema relevância nos constantes trabalhos da Espiritualidade para com a Terra. Nascia em Lion, na França, em 03 (três) de outubro, Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Como intelectual Rivail destacou-se por ser um emérito professor, auxiliando a França em seu novo modelo pedagógico, estudos que modernizaram e atualizaram o ensino público daquele país. Foi também autor de várias obras científicas.

Todo este seu talento e conhecimento veio de sua formação como aluno de famosa escola Suíça, conhecido como Instituto de Yverdon, cujo mestre fora o grande Pestalozzi. Como aluno, Hippolyte mostrou-se destacado desde os primeiros anos de estudos.

Aprendendo as teorias humanistas, tradicionais do Instituto de Pestalozzi, o aluno Rivail, já adulto, volta-se a seus trabalhos de ordem pedagógica e científica, até que se iniciou na França os fenômenos das mesas girantes. Neste tempo, renomados senhores e senhoras da sociedade Parisiense começavam a utilizar-se deste para suprir suas curiosidades e suas necessidades materiais.

Como intelectual respeitado, o professor Hippolyte iniciou suas participações nestes fenômenos de forma incrédula, mas logo vendo que os fenômenos eram reais, voltou seu trabalho a um longo processo de análise e pesquisas, dando início ao grandioso trabalho da Codificação Espírita na Terra.

Os estudos do então professor Rivail marcaram na ordem das revelações espirituais, um divisor de águas, pois foi com ele que estes fenômenos começaram a se tornar sérios, em virtude da seriedade de suas análises e questionamentos.

Foi só após longos estudos e reestudos, que o professor iniciou seu trabalho de escrita, verdadeiros registros que estão até hoje dentre nós, com as cinco obras básicas do Espiritismo, bem como a Revista Espírita, documento publicado durante doze anos consecutivos.

Como era muito conhecido no meio científico, e não querendo chamar a atenção para si, mas para a verdade dos fenômenos que se iniciaram Rivail resolveu usar um pseudônimo, utilizando-se no nome Allan Kardec, que segundo seu mentor espiritual (Zéfiro), já tinha sido seu nome numa reencarnação passada, quando fora um Druida, na antiga Gália, hoje França.

Allan Kardec deixava o corpo físico como vivera sua vida após a descoberta da revelação espírita, trabalhando. Dedicando-se exclusivamente aos estudos espíritas no ímpeto de cumprir sua missão.

Homenageamos Kardec não pela sua divindade, pois não foi uma, mas por ser um Espírito comum que cumpriu com sua grandiosa missão. A missão de iniciar o Espiritismo na Terra (sendo apenas a ferramenta para tal), conforme predito pelo Cristo no Evangelho de João.

Que assim seja.
Jivago Dias Amboni – C.E. Circulo da Luz de Criciúma e 9 URE.

12 de set. de 2012

Onde esta a luz?

Ó vida ingrata! Porque cobras tantas aflições, tantas lutas. Onde encontra-se a luz? A calmaria da alma? Talvez este seja um pensamento constante em nossa vida.

Mas será que o que passamos na vida são definitivamente cobranças? O véu do esquecimento nos é dado para que possamos seguir em frente dentro do nosso livre-arbítrio. As aflições, nos ensina Emmanuel, são aquelas construções equivocadas feitas em nossas vidas passadas, e que, em virtude de estarem registradas em nosso perispírito vez ou outra, afloram dentro de nós mesmos, criando mágoas e sentimentos que muitas das vezes desconhecemos, pensamentos outros que nunca pensamos, e assim sucessivamente. 

O mergulho que o Espírito da novamente a carne, serve como fase de depuração, o vaso carnal nada mais é do que o filtro deste Espírito, ainda somatizado em suas atribulações do passado. Com a carne, paulatinamente vamos filtrando estas somatizações, desde que tenhamos vontade de realizar a reforma interior.

É um processo que nos parece lento, mas necessário para a evolução do Espírito. Somente com o esquecimento e o reajuste de todo o passado é que iremos ter existências futuras – tanto dentro da carne, como fora dela, em outros planos - mais saudáveis e harmoniosos.

Jivago Dias Amboni – Centro Espírita Circulo da Luz de Criciúma e 9 URE.
Criciúma, setembro de 2012.

3 de set. de 2012

Gêneros e Intertextualidade: A Bíblia como Obra Literária. (terceira e última parte)

4.    Contexto
    Sempre que nos comunicamos estamos imersos a determinada situação. A isso chamamos contexto. Ou como melhor nos explica Villaça Koch (2006, p. 4), “o contexto é, portanto, um conjunto de suposições baseadas nos saberes dos interlocutores, mobilizados para a intepretação de um texto.”

    Só há entendimento entre os interlocutores quando eles conhecem o assunto sobre o qual vão discorrer e o meio (a linguagem)pelo qual vai ser expresso o tema. Por exemplo: Eu posso ser PHD em física quântica, vou ministrar uma palestra em Harvard para uma plateia tão qualificada quanto eu, mas não sei falar japonês e não há tradutor para esse idioma, e 50% da plateia só fala japonês. O que acontecerá? Somente metade do público compreenderá o que será dito, pelo simples motivo de não conhecer a língua pela qual será proferida a comunicação.Isso também acontece com a leitura da bíblia, há várias expressões idiomáticas das línguas hebraica, aramaica e grega que não conhecemos. Muitos tentam traduzir essas expressões literalmente e não vão ser felizes com o resultado. Como traduziríamos, por exemplo, as seguintes expressões idiomáticas para outro idioma: “Hoje no trabalho engoli muitos sapos”. Ou, ainda, “O seu Joaquim bateu as botas.” Essas expressões são comuns no nosso cotidiano, mas talvez, daqui a cem anos poucos saberão o seu significado. Imaginem textos que foram escritos há dois mil anos e, alguns, há três mil anos ou mais.    Ao depararmos com traduções de textos tão antigos temos que ter cautela em pronunciar qualquer opinião sem o cuidado de verificar o meio, a cultura, o contexto em que foi escrito tais passagens. Koch nos esclarece com mais propriedade a relevância do contexto para a compreensão de qualquer enunciado:
O contexto, da forma como é hoje entendido no interior da linguística textual, abrange, portanto, não só o co-texto, como a situação de interação imediata, a situação mediata (entorno sociopolítico-cultural) e também o contexto sociocognitivo dos interlocutoresque, na verdade, subsume os demais. Ele engloba todos os tipos de conhecimentos arquivados na memória dos actantes sociais, que necessitam ser mobilizados por ocasião de intercâmbio verbal. (2002, cap. II)

E para nos aclarar ainda mais sobre contexto, diz:
Quando adotamos, para entender o texto, a metáfora do iceberg, que tem uma pequena superfície à flor da água (o explícito) e uma superfície subjacente, que fundamenta a intepretação (o implícito), podemos chamar de contexto um iceberg como um todo, ou seja, tudo aquilo que, de alguma forma, contribui para ou determina a construção do sentido. (2008, cap. 3)

5.    Conclusão
   
    Há critérios de estudos de textos que nós, leitores comuns, não estamos acostumados a utilizar. Critérios esses que, a ciência da língua, conhecida como linguística, pode nos ser muito útil para uma melhor interpretação da Bíblia, seja a Bíblia Hebraica ou o Novo Testamento. Se estivermos realmente interessados em compreender um pouco mais a fundo os densos textos da cultura do povo de Israel, podemos nos valer dos estudos de alguns linguistas e, até, inclusive, da teoria literária.

    As pesquisas em Bíblia em nosso país estão só começando. Penso que está área é rica em sutilezas, em detalhes e em nuances que somente estudos sérios, embasados e comprometidos com a pureza da literatura bíblica poderão nos envolver e nos agraciar com as belezas que toda boa obra nos oferece.

A Bíblia deve ser estudada ou lida por prazer, como todos os clássicos da literatura. Temos que evitar os preconceitos. E quando nos deparamos com algo que não entendemos no texto bíblico, devemos procurar respostas em outras pesquisas sérias ou com alguém que esteja mais habituado ao texto em questão. O que não se deve fazer é pensar que aquilo que não compreendemos está errado. Como já dissemos antes, há sutilezas nos textos bíblicos que somente compreenderemos se nos envolvermos com estudos e com a alma.





2 de set. de 2012

Gêneros e Intertextualidade: A Bíblia como Obra Literária. (segunda parte)

Segue a continuação da pesquisa feita pelo confrade Jorgemar Teixeira.

2.    Gêneros textuais na Bíblia

    Para não incorrermos em erro na leitura e interpretação bíblica, temos que ter consciência de que há na bíblia uma diversidade de gêneros literários, tais como: o Didático, o Profético, o Poético, o Apocalíptico, o Jurídico, o Epistolar, etc.Cássio Murilo Dias escreve proveitosa reflexão sobre o estudo dos gêneros literários da Bíblia em seu livro Leia a Bíblia como Literatura:
Falar em “gênero literário” exige que se façam algumas observações prévias. Em primeiro lugar, o termo “gênero literário” corre o risco de fazer esquecer que boa parte do material bíblico surgiu como tradição oral, isto é, antes de se tornarem textos, relatos e ensinamentos eram transmitidos de boca em boca, não só como atividade lúdica e estética, mas também como forma de transmitir cultura, orientações estéticas e conteúdo de fé. Por isso, embora o estudo de gêneros literários baseiam-se no material escrito, não se pode apagar o estágio anterior ao processo de transcrição”.
“Segundo, embora boa parte dos “gêneros literários” tenha esquemas relativamente fixos, esta não é uma regra universal. Há textos que possuem um estilo ou uma índole comum, mas não seguem o mesmo modelo. Com efeito, também esta é uma herança do período de transmissão oral”.
“Terceiro, o gênero literário “puro” existe só na abstração. Toda vez que um modelo é empregado, ele sofre influências do contexto e apresenta alterações, seja na sua forma, seja na sua finalidade. Há também textos híbridos, isto é, uma mesma perícope pode ser formada pela justaposição de dois gêneros literários distintos.
“Quarto, cumpre observar que os mesmos gêneros literários são utilizados tanto no Antigo como no Novo Testamento”. (2007, cap. 4)

Para exemplificar o que nos diz Cássio Murilo Dias, recorremos a Haroldo Dutra Dias:
No relato denominado “encontro junto ao poço”, (...), o redator bíblico procura explicar como os casais de patriarcas se conheceram, além de engrandecer as qualidades de cada um deles.
“A narrativa se desenrola em um dos poucos locais em que homens e mulheres, que não fossem parentes, podiam conversar, na antiga Israel. Nesse local de encontro, as mulheres demonstram sua capacidade de cuidar da casa e do rebanho, ao passo que os homens exibiam sua força de trabalho. (2011, p.147)

    Gn 24    Gn 29    João 4
Homem chega ao poço                                                  11                                         2-4                                              6
Mulher chega para tirar água                                       15-16                                            9                                           7a

Os dois conversam    17-18    8, 11-12a    7b, 9-12
Ele tira a água e oferece a ela e ao rebanho   
19-21   
10   
13-16
Ela volta para casa e relata o encontro     28                                     12b                                 28-29
Ele é convidado a visitar a casa dela                                        31-33                                       13-14                                           40

Os dois se casam    67   
15-21, 28    41-42

Vamos ver como Cássio Murilo Dias nos explica o diagrama supracitado:
As diferenças na aplicação do esquema básico estão em função do que é específico em cada texto. Em Gn 24, em lugar de o homem tirar a água, é a mulher que o faz. Talvez isso aconteça porque o homem que chega ao poço é somente o representante do futuro noivo. Em Gn 29, antes de Raquel chegar, já estão lá os pastores e é com eles que Jacó conversa em primeiro lugar. Só depois chega Raquel. Essa demora na chegada de Raquel antecipa a grande variação nesse caso concreto, isto é, a inversão do casamento: na noite de núpcias, Labão engana Jacó e o obriga a casar com Léa antes de se casar com Raquel. O episódio narrado em Jo 4 é fortemente simbólico: a mulher é figura da Samaria, antiga capital do reino do norte; os cinco maridos não são seres humanos do sexo masculino, mas, sim, cinco divindades cultuadas pelos povos que foram transplantados para a Samaria durante a dominação assíria (cf. 2Rs 17:29-31). Em outras palavras, Jo 4 usa o gênero do encontro junto ao poço para descrever a acolhida do evangelho pelos samaritanos, isto é, como Samaria “se casou” com Jesus. (2007, cap. 4)

Nas partes citadas da Bíblia e na boa explanação de Cássio Dias sobre as mesmas, temos todos os nossos objetos de estudo propostos para esse artigo.Temos o gênero literário chamado “encontro junto ao poço”. Há três encontros em lugares comuns e com finalidades semelhantes entre eles. Os diálogos são similares. As personagens são importantes para o povo judeu. E podemos ir mais longe: Por que num poço de água? O que a água simboliza para esse povo? Há uma explicação lógica para isso?Sim. Como o povo hebreu vivia em áreas desérticas e semiáridas, com raras fontes e poucas chuvas na maior parte do ano, a água tinha uma significação especial em sua cultura. As fontes, as chuvas, os rios, os lagos, os córregos, eram sinais da Graça do Deus único, como vemos abaixo:
•    O paraíso terrestre é banhado por quatro rios (cf. Gn 2,8­15).
•    O salmo 46, ao falar de Jerusalém, diz: “Um rio e seus canais alegram a cidade de Deus”.
•     O Senhor é meu pastor e me conduz às águas tranquilas. (Sl 23).
•     O coração de um rei é o rio de água nas mãos de Deus (Pr 21, 1)
•    Isaías prevê o mundo futuro, quando “O conhecimento do Senhor encherá a terra como as águas enchem o mar”. (Is 11,9).
•    A ciência do sábio aumenta como a inundação e seu conselho é como fonte de
água viva. (Eclo 21,13).
•    Deus, por meio  de Jeremias,  apresenta­se  como “fonte  de água viva” (cf. Jr2,13).

Citamos alguns para servirem de exemplo, mas há vários, inúmeros casos na Bíblia em que a água é mencionada pelo povo de Israel como símbolo sagrado.

Assim como acontece hoje, escrevemos ou falamos de acordo com o gênero que mais se adequa a ocasião, no Antigo e no Novo Testamento isso também ocorria. Então, é natural que os escritores bíblicos usassem de gêneros textuais preestabelecidos em sua época e região conforme a herança cultural daquele povo, como vimos no relato denominado “encontro junto ao poço”.E isso torna o texto bíblico mais inteligível, mais verossímil, mais próximo à nossa realidade. Ou seja, a escritura bíblica e os seus leitores comuns só têm a ganhar quando se abre esse leque de possibilidades de estudos referente ao gêneroliterário.

3. Intertextualidade
    Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, a Intertextualidade é a “superposição de um texto literário a outro; influência de um texto sobre outro que o toma de modelo ou ponto de partida, que gera a atualização do texto citado; utilização de uma multiplicidade de textos ou de partes de textos preexistentes de um ou mais autores, de que resulta a elaboração de um novo texto literário; em determinado texto de um autor, utilização de referências ou partes de obras anteriores deste autor”.

    Utilizando, ainda, os textos de Gênesis 24 e 29 e João 4, nossa percepção literária nos dirá que estas três passagens bíblicas estão inseridas no conceito de intertextualidade, conforme nos explica o Dicionário Houaiss da língua portuguesa.Há superposição de textos, influência de um texto sobre outro e utilização de partes da obra.E para ampliar nosso entendimento de intertextualidade recorremos a Ingedore Villaça Koch:
(...) podemos depreender que, stricto sensu, a intertextualidade ocorre quando, em um texto, está inserido outro texto (intertexto) anteriormente produzido, que faz parte da memória social de uma coletividade. Como vemos, a intertextualidade é elemento constituinte e constitutivo do processo de escrita/leitura e compreende as diversas maneiras pelas quais a produção/recepção de um dado texto depende de conhecimentos de outros textos por parte dos interlocutores, ou seja, dos diversos tipos de relações que um texto mantém com outros textos. (2008, cap. 4)

    Para diferir a intertextualidade implícita da explicita Koch nos explica:
Em sentido amplo, a intertextualidade se faz presente em todo e qualquer texto, como componente decisivo de suas condições de produção. Isto é, ela é condição mesma de existência de textos, já que há sempre um já-dito, prévio a todo dizer. Segundo J. Kristeva, criadora do termo, todo texto é mosaico de citações, de outros dizeres que o antecederam e lhe deram origem. (2008, cap. 4)

    Desse modo podemos inferir que, desde que o “homem” começou a transmitir alguns sons para se comunicar em suas comunidades primitivas, esses sons foram sendo repetidos e modificados de acordo com a necessidade de cada momento. Não há textos puros. Todo texto remete a outro, que por sua vez remete a outro anterior e assim sucessivamente.Podemos pensar em outro caso: existe originalidade em se falando de texto? Creio que depende do nosso conceito do que vem a ser original. Paremos por aqui para não perdermos o foco de nosso modesto trabalho.

29 de ago. de 2012

Gêneros e Intertextualidade: A Bíblia como Obra Literária. (primeira parte)

A partir deste título, estaremos colocando (em partes) um artigo escrito pelo nosso confrade de Doutrina Jorgemar Teixeira. Trata-se de um artigo que serviu na conclusão de seu Curso Superior em Letras. A professora Orientadora foi a Sra. Cláudia Franscisco.

Segue a primeira parte:

RESUMO

Este artigo propõe uma discussão sobre a leitura e interpretação bíblica não para os exegetas, mas para pessoas comuns que tem neste apanhado de livros um consolo, um refúgio, um alento para o seu cotidiano. Para esse estudo teremos por embasamento teórico a linguística textual.

PALAVRAS-CHAVE:Gêneros textuais. Intertextualidade. Contexto.Evangelho.Antigo Testamento.


Genres and Intertextuality: The Bible as a Literary Work

Abstract

This article proposes a discussion about reading and interpreting biblicalnot to exegetes, but for ordinary people who have in this bunchedof books a comfort, a refuge, an encouragement to your daily life. For this study we have for the theoretical basis the linguistic textual.
   
Keywords:Text genres. Intertextuality.Context.Gospel. OldTestament.


1.    Introdução

Muitos cristãos leem a Bíblia como um livro sagrado,que foi escrito por santos, por pessoas que não erravam ou pelo próprio Deus. Nossa proposta não é destruir essa imagem edificada ao longo dos anos na cultura judaico-cristã, e sim ampliá-la. Haroldo DutraDias em seu livro Parábolas de Jesus Texto e Contexto(2011, p. 50-51) diz:

Acreditamos que o estudo da linguagem, através das contribuições oferecidas pela ciência denominada linguística, e o conhecimento das questões relativas à crítica literária, seriam de grande valia para a superação desse entrave.

    Ou no artigo de João CesárioEstudos Literários Aplicados à Bíblia: dificuldades e contribuições para a construção de uma relação(2006, p. 2):

A dificuldade vivenciada por aqueles que abordam a Bíblia apenas como texto sagrado reside em um equívoco de base. Falta uma compreensão adequada do que é um “texto”, bíblico ou não, e de suas funções. Central para isso é o reconhecimento da literatura como mimesis, ou seja, imitação e representação da realidade, e como poiesis, isto é, como criação e transformação da realidade. Nenhum texto “é” o fato que narraou a situação da qual é testemunha. Ele é uma “representação” do evento através de um meio de comunicação que possui leis próprias.

Nossa compreensão sobre texto aumenta quando lemos o que Mário Eduardo Martelotta (2011, p. 194) diz em seu livro Manual de Linguística:
Assim, podemos dizer que o texto é a unidade comunicativa básica, aquilo que as pessoas têm a declarar umas às outras. Essa declaração pode ser um pedido, um relato, uma opinião, uma prece, enfim, as mais diversas formas de comunicação.

Sabemos, agora, que o texto é uma representação da realidade e que atua como transformador e criador dessa mesma realidade. Também entendemos que um texto, não necessariamente, tem que estar escrito. Ele pode ser escrito, falado, sinalizado, etc.

O texto da Bíblia influencia a sociedade na qual está inserida desde quando a Torah (o Velho Testamento ou a Bíblia hebraica) era veiculada de geração em geração de forma oral. Queiramos ou não, somos conduzidos pela cultura judaico-cristã há alguns séculos, conforme a citação abaixo:

No ocidente, os temas cristãos perpassam toda a cultura, o direito, a filosofia, apolítica, os costumes, as artes de modo geral. Mesmo para os que não têm fé, éimpossível escapar desse arcabouço sociocultural que molda há 2 mil anos associedades ocidentais. Ideias e práticas cristãs ultrapassam a dimensão religiosae alcançam a vida social, política e intelectual. (Biblioteca EntreLivros SantaFilosofia, 2007, p. 7)


Há alguns que dizem que a bíblia não pode ser considerada literatura porque não se enquadra no que os literatos chamam de clássicos. Vamos ver o que nos diz Ítalo Calvino, um dos maiores escritores italianos do século passado, sobre o que é um clássico em seu livro Por Que Ler Os Clássicos:
•    Toda releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira.
•    Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.
•    Os clássicos são aqueles livros que chegam até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram.
•    É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível.

Calvino cita outros critérios, mas pensamos ser estes suficientes para o nosso estudo.
(continua).
Jorgemar Teixeira - Centro Espírita Circulo da Luz - Criciúma.



26 de ago. de 2012

Mediunato: Um Processo Natural.

O objetivo deste artigo e traçar em linhas históricas a natureza dos processos mediúnicos, demonstrando que estes processos são em suma um fenômeno natural, e sempre existente dentre os homens.

O processo mediúnico, amplamente estudado e divulgado pelo Espiritismo não é algo confirmado unicamente por esta Ciência, seu papel na esteira das revelações Divinas esta em desmistificar este fenômeno, colocando-o na esfera da razão, e explicando aos homens sua necessidade e natureza Divina.

Ao analisarmos as primeiras formações humanas no Planeta, encontramos na literatura não só Espírita, a existência da mediunidade em todos os povos.

Nossa jornada tem seu início nos primeiros povos a aprimorar tal conhecimento, os antigos Indianos e os primeiros Egípcios, com seus Vedas  e Hierofantes. Sacerdotes, que obtinham por meio de estudos secretos os ensinos para entender sua real existência na Terra, bem como a comunicação com os chamados Deuses .

Estas tradições passaram paulatinamente para os Gregos, Romanos, Essênios, Hebreus e demais povos que vieram a compor a chamada Antiguidade .

Dentre os Gregos, os médiuns eram conhecidos como Pitons e Pitonisas. Já na Roma dos Césares, como Sibilas, que ministravam suas consultas nos famosos Oráculos, como o de Delfos e Dondona .


Sobre este fato, registra o filósofo grego Platão:

“As profetisas de Delfos e Dondona, tomadas por um delírio divino, prestaram numerosos serviços à Grécia ”.

Dentre Essênios e Hebreus, aqueles que se comunicavam com os seres espirituais eram conhecidos como Profetas. Porém, na linguagem atual, todos médiuns, pois comunicavam-se com os demais planos espirituais e seus espíritos, independente de qual o nível de evolução destes.

Mas os Séculos na Terra passam como uma átimo no Universo, o tempo chega na fase de maturidade dos Homens. Após os dogmas dos Concílios que levaram a mediunidade ao caos da ignorância na Idade Média, era chegado o fim de turbulências e perseguições. Oitocentos anos de escuridão religiosa , davam espaço para o Renascimento das idéias, e a razão do Iluminismo.

Era chegado o momento da mediunidade aberta a todos, sem preconceitos, sem escolhidos e principalmente sem misticismos. Fazia-se o momento deste verdadeiro sentido  humano ser divulgado dentre todos, não mais para aguçar curiosidades, alcançar poderes seculares ou executar guerras, mas enfim, para que fosse ministrada dentro dos ensinos do Mestre Crístico, voltada para bem, para o auxilio e benevolência com o próximo. Era chegado o momento da mediunidade com os ensinos de Jesus.

O maior de todos os Espíritos a já pisar na Terra, tinha deixado seu lastro. Em sua transfiguração no Tabor, com sua comunicação mediúnica com os desencarnados de Gerasa, e tantos outros acontecimentos não registrados na Bíblia, com sua aparição a Maria Madalena, e após seu desencarne com o dia de Pentecostes, deixando sua mensagem aos apóstolos.

No primeiro momento da história cristã, iniciou-se a abertura da mediunidade com três apóstolos (no Tabor), depois abre para todo o colegiado (em Pentecostes), dizendo aos homens que seu amadurecimento já comportava tais comunicações, ao contrário dos tempos de Moises, quando a proibição se fez em virtude da mediunidade desvairada que atingia ao povo Hebreu em virtude, justamente desta falta de amadurecimento.

Nos diz Emmanuel ao falar sobre a proibição no Deuternômio:

“Antes de tudo, faz-se preciso considerar que a afirmativa tem sido objeto injusto de largas discussões por parte dos adversários da nova revelação que o Espiritismo trouxe aos homens, na sua feição de Consolador. As expressões sectárias, todavia, devem considerar que a época de Moisés não comportava as indagações do Invisível, porquanto o comércio com os desencarnados se faria com um material humano excessivamente grosseiro e inferior ”. (grifo nosso).

Não mais a proibição! Agora a aceitação, com todas as responsabilidades ensinadas pelo Cristo.

“E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu espírito derramarei sobre toda a carne; os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, vosso mancebos terão visões e os vosso velhos sonharão sonhos ” (Atos, 2:17).

Além destes fatos narrados no Cristianismo Primitivo, temos também o próprio Apostolo dos Gentios, quando em Corinto, ouve (mediunicamente) uma voz e imagem no qual acreditou ser Jesus, dizendo-lhe: “usa os poderes do Espírito”, lição que esclarece-nos Emmanuel na obra Paulo e Estevão, nos dizendo que o Cristo quis dizer a Paulo de Tarso para que Ele escrevesse em seu nome as lições ditadas por Estevão em Espírito. Em suma, cartas mediúnicas.

Após todas estas autorizações do próprio Jesus, tanto encarnado, quando desencarnado, confirma a necessidade dos tempos de esclarecimentos mediunicos. Neste ponto, aparece o Espiritismo como a continuidade destas revelações. A lição do Cristo ressurge em sua pureza doutrinária, juntamente com os esclarecimentos científicos necessários aos homens modernos.

A mediunidade sem mística se faz realidade na Terra. Não mais o sobrenatural, agora o natural, não mais o preconceito, mas um processo Divino, necessário ao aperfeiçoamento das criaturas.

Perguntado a Emmanuel sobre o mediunato, ele responde:

“ A mediunidade é aquela luz que seria derramada sobre toda a carne e prometida pelo Divino Mestre aos tempos do Consolador, atualmente em curso na Terra... Sendo luz que brilha na carne, a mediunidade é atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude da inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo .” (grifo nosso).

Esta é a lição que fica com a nova revelação. A terceira, que vem complementar a primeira e segunda, de acordo com os merecimentos da humanidade. Mediunidade com Jesus, esta a solução mais segura para as criaturas.

Jivago Dias Amboni – trabalhador do Centro Espírita Circulo da Luz e integrante da 9 URE.